terça-feira, 19 de junho de 2012

Revolta da Chibata

Introdução

 A revolta da Chibata foi um importante movimento social ocorrido, no início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no dia 22 de novembro de 1910.
Neste período, os marinheiros brasileiros eram punidos com castigos fisicos. As faltas graves eram punidas com 25 chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros.

CAUSAS DA REVOLTAS

O estopim da revolta ocorreu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com  250 chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos outros marinheiros, desencadeou a revolta.
O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três oficiais. Já na Baia de Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do encouraçado São Paulo. O clima ficou tenso e perigoso.

Reivindicações

O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta reivindicando o fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da revolta. Caso não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçavam bombardear a cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil).

Segunda revolta

Diante da grave situação, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar o ultimato dos revoltosos. Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o presidente solicitou a expulsão de alguns revoltosos. A insatisfação retornou e, no começo de dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta na Ilha das Cobras. Esta segunda revolta foi fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram presos em celas subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida eram desumanas, alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha. 
O líder da revolta João Cândido foi expulso da Marinha e internado como louco no Hospital de Alienados. No ano de 1912, foi absolvido das acusações junto com outros marinheiros que participaram da revolta.

Conclusão

Podemos considerar a Revolta da Chibata como mais uma manifestação de insatisfação ocorrida no início da República. Embora pretendessem implantar um sistema político-econômico moderno no país, os republicanos trataram os problemas sociais como “casos de polícia”. Não havia negociação ou busca de soluções com entendimento. O governo quase sempre usou a força das armas para colocar fim às revoltas, greves e outras manifestações populares.
 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Revolta do Contestado - Video




Revolta do contestado

Introdução
A Guerra do Contestado foi um conflito armado que ocorreu na região Sul do Brasil, entre outubro de 1912 e agosto de 1916. O conflito envolveu cerca de 20 mil camponeses que enfrentaram forças militares dos poderes federal e estadual. Ganhou o nome de Guerra do Contestado, pois os conflitos ocorrem numa área de disputa territorial entre os estados do Parará e Santa Catarina.

Causas do conflito 

•A estrada de ferro entre São Paulo e Rio Grande do Sul estava sendo construída por uma empresa norte-americana, com apoio dos coronéis (grandes proprietários rurais com força política) da região e do governo. Para a construção da estrada de ferro, milhares de família de camponeses perderam suas terras. Este fato, gerou muito desemprego entre os camponeses da região, que ficaram sem terras para trabalhar.

Outro motivo da revolta foi a compra de uma grande área da região por de um grupo de pessoas ligadas à empresa construtora da estrada de ferro. Esta propriedade foi adquirida para o estabelecimento de uma grande empresa madeireira, voltada para a exportação. Com isso, muitas famílias foram expulsas de suas terras.

O clima ficou mais tenso quando a estrada de ferro ficou pronta. Muitos trabalhadores que atuaram em sua construção tinham sido trazidos de diversas partes do Brasil e ficaram desempregados com o fim da obra. Eles permaneceram na região sem qualquer apoio por parte da empresa norte-americana ou do governo. 

Lumber Company
Atraído pela riqueza florestal da região contestada, cortada vertical e horizontalmente pelas ferrovias, o mesmo Sindicato Farquhar tratou de promover a instalação de uma serraria monumental, a Southern Brazil Lumber & Colonization, com a primeira unidade em Calmon (1908) e, logo depois, em Três Barras (1912). De paranaenses, a empresa adquiriu milhares de hectares de terras, cobertas pela Floresta da Araucária, utilizando métodos que foram considerados fraudulentos, pois, parte dos títulos expedidos pelo Paraná continham registros em duplicata em Santa Catarina, isso porque ambos transferiam imóveis como terrenos devolutos a fazendeiros-coronéis, políticos que usufruíam as benesses do poder em cada Estado.

Messianismo e Misticismo
A maioria da população da Região do Contestado era formada por uma população cabocla, pobre e inculta, de índios, negros e luso-brasileiros que, ao longo dos anos, havia se internado nos sertões e nos campos e vivia do cultivo de roças, criação de porcos selvagens, extração da erva-mate, tropeirismo de carga e trabalhava nas fazendas
       de criação de gado como peões ou agregados.
      A forte ascendência portuguesa dos caboclos abrigava a crença importada do sebastianismo lusitano. Assim, a população revelava expressões de messianismo e de muito misticismo. Diante da ausência praticamente total da Igreja Católica, os sertanejos buscaram conforto espiritual nos monges, profetas, curandeiros, pregadores e eremitas, que peregrinavam pela região, dentre eles destacando-se dois, de nomes João Maria de Agostinho e João Maria de Jesus. Quando os monges, confundidos como um só na figura imaginária de São João Maria, desapareceram, surgiu outro, Miguel Lucena de Boa ventura, que adotou o nome de José Maria, o qual, depois de sair do Palmas, no Paraná, chegou à região de Taquaruçu, em Santa Catarina, onde foi acolhido como irmão de João Maria e tido como “novo monge”.
Monge José Maria
 O terceiro monge, José Maria, surgiu em 1911 no município de Campos Novos (SC), e foi, segundo alguns historiadores, um ex-militar. De acordo com um laudo da polícia de Vila de Palmas, no Paraná, seu verdadeiro nome era Miguel Lucena de Boa ventura, um soldado desertor condenado por estupro. Dizia ser irmão do primeiro monge e adotou o nome de José Maria de Santo Agostinho. Utilizava, também, os mesmos métodos de cura dos anteriores, mas, ao contrário do isolamento, organizava agrupamentos, fundando os “Quadros Santos”, acampamentos com vida própria, e os “Pares de França”, uma guarda especial formada por 24 homens que o acompanhavam. A região onde atuava era palco de disputas por limites e, sob a alegação de que o monge queria a volta da monarquia, foi pedida a intervenção do Governo Estadual de Santa Catarina, o que foi entendido como uma afronta pelo Governo do Paraná, que enviou uma força militar para a região. A força militar chefiada pelo coronel João Gualberto Gomes de Sá invadiu o “Quadro Santo” de Irani (SC), quando morreram em combate o monge João Maria e o coronel, o que determinou o fim do ciclo dos monges e a eclosão franca da Guerra do Contestado.

Os conflitos
Os coronéis da região e os governos (federal e estadual) começaram a ficar preocupados com a liderança de José Maria e sua capacidade de atrair os camponeses. O governo passou a acusar o beato de ser um inimigo da República, que tinha como objetivo desestruturar o governo e a ordem da região. Com isso, policiais e soldados do exército foram enviados para o local, com o objetivo de desarticular o movimento.

Os soldados e policiais começaram a perseguir o beato e seus seguidores. Armados de espingardas de caça, facões e enxadas, os camponeses resistiram e enfrentaram as forças oficiais que estavam bem armadas. Nestes conflitos armados, entre 5 mil e 8 mil rebeldes, na maioria camponeses, morreram. As baixas do lado das tropas oficiais foram bem menores.


O fim da Guerra
•A guerra terminou somente em 1916, quando as tropas oficiais conseguiram prender Adeodato, que era um dos chefes do último reduto de rebeldes da revolta. Ele foi condenado a trinta anos de prisão.













Revolta de Juazeiro - Conflito na história brasileira.

INTRODUÇÃO
Em 1914, o sertão nordestino foi novamente abalado por uma grande revolta popular de caráter religioso, ocorrida em Juazeiro do Norte, interior do estado do Ceará, e liderada pelo padre Cícero Romão Batista. Ao contrário do que ocorreu em Canudos, onde a população sertaneja lutou em defesa da posse da terra e de sua comunidade contra os interesses dos coronéis locais, os sertanejos de Juazeiro pegaram em armas para derrubar do poder o governador do estado do Ceará. O povo de Juazeiro, porém, lutou em defesa de uma causa que não era sua, pois a revolta popular foi preparada pelos coronéis da região com o objetivo de retomar o governo do Ceará.


CONFLITOS ENTRE OLIGARQUIAS
Para entender as causas da Revolta ou Sedição de Juazeiro, é preciso levar em consideração a luta entre as oligarquias pela conquista do poder político. Em 1910, os Estados de São Paulo e Minas Gerais romperam com a política do "café com leite" porque não chegaram a um acordo sobre a sucessão presidencial. As oligarquias de São Paulo uniram-se às da Bahia, e juntas apresentaram a candidatura do baiano Rui Barbosa. Minas Gerais, por sua vez, se uniu ao Rio Grande do Sul e lançou como candidato o marechal Hermes da Fonseca,que venceu as eleições.
Ao assumir a presidência,  Hermes da Fonseca procurou alterar a relação de poder das forças políticas, beneficiando as pequenas oligarquias em detrimento das oligarquias tradicionais. Foi com esse objetivo, que o presidente colocou em prática o que ficou conhecido como "política salvacionista".
Consistia basicamente em intervenções de tropas federais nos Estados, para substituir o poder uma oligarquia por outra. O governo federal justificava as intervenções como meio mais eficaz de acabar com a corrupção e depurar as instituições republicanas.



O GOVERNO DO CEARÁ
A política salvacionista foi a principal causa da Revolta de Juazeiro. O marechal Hermes da Fonseca decidiu intervir no Estado do Ceará com objetivo de neutralizar o poder das oligarquias mais poderosas da região, que estavam sob controle do senador Pinheiro Machado, um político com muita influência sobre os coronéis do Norte e Nordeste brasileiro.
A intervenção federal no Ceará derrubou do poder a família Acioly e em seu lugar colocou o coronel Franco Rabelo. Os coronéis aliados dos Acioly, reagiram, buscando o apoio do padre Cícero. O deputado federal Floro Bartolomeu, aliado de Pinheiro Machado, tinha grande influência sobre o padre Cícero.
Convenceu-o a usar sua popularidade para convencer os sertanejos da região a participarem de um levante armado contra a intervenção federal no Ceará. Liderados pelo padre Cícero, milhares de sertanejos pegaram em armas e se revoltaram. O levante foi tão violento que o governo federal cedeu, retirando o interventor e devolvendo o governo do Estado aos Acioly.

GUERRA SANTA
A condição de miséria das populações do sertão nordestino favoreceu sua subordinação a líderes religiosos, fanáticos e demagogos, que de tempos em tempos surgiam na região. Sob a influência do admirado e carismático Padim Ciço, os sertanejos cearenses participaram da Revolta de Juazeiro por acreditarem que estavam cumprindo uma missão profética e lutando numa guerra santa.

Porém, com o retorno da família Acioly ao governo do Ceará, o grande beneficiado foi, de fato, o mais influente oligarca da Primeira República, o senador Pinheiro Machado. Na memória e tradição popular do povo nordestino, porém, o padre Cícero é até os dias de hoje venerado como santo e profeta. Em Juazeiro do Norte, um enorme monumento erguido em sua homenagem atrai, todos os anos, multidões de peregrinos.

CÍCERO ROMÃO BATISTA
O município de Juazeiro do Norte, no Ceará, é um dos principais pólos de religiosidade do Brasil. Foi lá que viveu Cícero Romão Batista, o padre que tornado líder religioso de toda a região do Cariri e até hoje, decorridos mais de 70 anos de sua morte, ainda desperta a devoção de milhares de brasileiros, sobretudo os nordestinos.
Nascido na cidade do Crato a 24 de março de 1844, Cícero Romão Batista ordenou-se sacerdote em 1870 e, no Natal de 1871, celebrou a Missa do Galo no vilarejo chamado Tabuleiro Grande, como então se chamava a região que deu origem ao município de Juazeiro.  A ocasião impactou-o profundamente e, em abril de 1871 assumiu como pároco da pequena capela de Nossa Senhora das Dores existente na localidade. E de lá não saiu mais.
Padre Cícero era carismático e não tardou a se espalhar por toda a região a sua fama de místico e milagreiro. O maior de seus milagres teria sido a transformação da hóstia sagrada em vinho ao tocar a língua da beata Maria de Araújo, em uma missa celebrada pelo sacerdote.  O evento aconteceu ainda outras vezes, o que levou a instalação de uma comissão da Igreja para averiguar o fato, algumas vezes comprovado e outras, não. Isto custou grandes desentendimentos de Cícero com a Santa Sé, a ponto de ter sido promulgada a sua excomunhão, a qual, contudo, nunca teria sido cumprida.

Além de sacerdote, Cícero foi um grande articulador político da região, desempenhando papéis importantes na política local e nacional.  Alguns autores ressaltam que teria tido ligações com o cangaço, citando, inclusive, um possível encontro seu com Virgulino Ferreira, o Lampião.
O Padre Cícero morreu em 20 de julho de 1934, aos 90 anos de idade. Em sua homenagem foi erguida na cidade de Juazeiro uma estátua de 27 metros de altura, a qual é considerada como o 4º maior monumento religioso do mundo. 

A Juazeiro acorrem todos os anos milhares de nordestinos, a pedir a bênção ao sempre vivo “Padim Ciço”, pagando promessas e agradecendo outras graças recebidas por intermédio do padre, a quem se acredita ser santo. 







terça-feira, 15 de maio de 2012

A CRISE DO ENCILHAMENTO E POLÍTICA DE VALORIZAÇAO DO CAFÉ

A VIDA DO OPERARIADO NA REPUBLICA VELHA


Um Operário brasileiro dessa época (1900-1930) trabalhava em média de 10 a 16 horas por dia, não existia folga ou férias remuneradas, leis trabalhistas parecia um sonho inatingível. As fábricas insalubres prejudicavam a saúde dos trabalhadores e os acidentes eram constantes e quase nada era feito para evitá-los, isso sem falar nas mulheres e crianças que trabalhavam por longas jornadas para receber um terço do que ganharia um homem adulto executando a mesma função.

Esse cenário de exploração dos trabalhadores e descaso dos Industriais levou pouco a pouco a criação de inúmeros sindicatos para a defesa dos interesses das mais variadas áreas produtivas, o movimento operário Brasileiro na república velha nasceu em meio à necessidade de se lutar pelos direitos mínimos da classe operária.

Nas famílias operárias da República velha, todos os membros trabalhavam. As crianças menores de doze anos eram impedidas de exercer trabalho remunerado de qualquer tipo em estabelecimentos fabris ou comerciais. Para auxiliar na renda doméstica, faziam biscates. Contudo, na década de 1920, vários estabelecimentos industriais ignoravam a proibição de contratar menores de 12 anos.

Parte da sociedade via os trabalhadores como pessoas predispostas à criminalidade e à revolta, pelas próprias condições em que viviam, que não podiam gerar outra coisa senão a tristeza e o desespero que levavam ao alcoolismo e aos vícios. Enfim, salários mesquinhos, longas jornadas de trabalho, habitações precárias, sem amparo, eram algumas das condições de vida do operariado da Primeira República.

A maioria dos operários trabalhavam em pequenas fabricas que produziam alimentos, bebidas e outras mercadorias destinadas ao consumo cotidiano da população. Estes operários eram imigrantes, principalmente, ou migrantes rurais, isto é, eram trabalhadores que vinham de outros países ou que se deslocavam das áreas rurais decadentes do Brasil para os centros urbanos na tentativa de melhorar de vida.

GUERRA DE CANUDOS


Canudos:

-Período: de Novembro de 1896 à Outubro de 1897.


- Envolvidos: de um lado os habitantes do Arraial de Canudos (jagunços, sertanejos pobres e miseráveis, fanáticos religiosos) liderados pelo beato Antônio Conselheiro. Do outro lado as tropas do governo da Bahia com apoio de militares enviados pelo governo federal.

          - A Guerra de Canudos significou a luta e resistência das populações marginalizadas do sertão nordestino no final do século XIX. Embora derrotados, mostraram que não aceitavam a situação de injustiça social que reinava na região.

A situação do Nordeste brasileiro, no final do século XIX, era muito precária. Fome, seca, miséria, violência e abandono político afetavam os nordestinos, principalmente a população mais carente. Toda essa situação, em conjunto com o fanatismo religioso, desencadeou um grave problema social no sertão da Bahia.

Canudos foi um movimento liderado por Antônio Conselheiro, foi iniciado em 1893, na região norte da Bahia, estava intimamente ligado à proclamação da República. Antônio era contra a separação da Igreja e do Estado e admirava o regime monárquico. Com palavras de fé e justiça, Conselheiro atraiu muitos sertanejos que se identificavam com a mensagem por ele proferida.

O governo da Bahia, com apoio dos latifundiários, não concordavam com o fato dos habitantes de Canudos não pagarem impostos e viverem sem seguir as leis estabelecidas.

A Guerra de Canudos é tida como um dos principais conflitos que marcam o período entre a queda da monarquia e a instalação do regime republicano no Brasil. Canudos, que mais pra frente teve o nome mudado para Belo Monte, foi o nome dado à comunidade por seus opositores e, se tornou uma ameaça ao interesse dos poderosos.

Incriminada por setores influentes e poderosos da sociedade da época, Canudos foi alvo das tropas republicanas, pois o governo da Bahia não conseguiu por si só segurar a grande revolta que acontecia em seu Estado.

Ao contrário das expectativas do governo, a comunidade conseguiu resistir a quatro investidas militares. Somente na última expedição a população apta para o combate e os habitantes do arraial de Canudos foram massacrados de forma brutal e até injusta.

Messianismo:

Na religião judaica existe a crença na vinda de um Messias, (“ enviado de Deus”, “Salvador”) que trará a libertação e transformará o mundo, iniciando uma época de justiça e felicidade. Por comparação, os sociólogos chamam o movimento encabeçado por Antônio Conselheiro e outro semelhantes que ocorreram em diversas partes do mundo de movimentos messiânicos ou messianismo.

E os seguidores de Conselheiro acreditaram que ele era o enviado de Deus, um homem santo, que em Canudos chegaria cheio de alegria e liberdade. Canudos não foi o único movimento messiânico que ocorreu no Brasil. Em diferentes épocas e lugares, a população humilde seguiu “santos” e “beatos”, depositando neles sua esperança de redenção.

          Outros também foram considerados “enviados por Deus”, como o Padre Cícero de Juazeiro, e José Maria do Sul do Brasil.

Quem foi Antônio Conselheiro?

Nasceu no interior do Ceará, 3 de Março de 1830 e faleceu em Canudos (Bahia) em 22 de Setembro de 1897. Depois da morte de seu pai assumiu os negócios da família, mas não teve sucesso, então foi peregrinar pelo interior.

Nessas andanças, começou a construir igrejas, casas e cemitérios. Nessa época, sob a perspectiva de alguém influenciado pelas contrariedades pessoais e os problemas socioeconômicos do sertão, Antônio Conselheiro iniciou uma pregação religiosa defensora de um cristianismo primitivo. Era também um crítico do sistema republicano.

Casou-se com uma prima e exerceu funções jurídicas nas cidades de Campo Grande e Ipu. Com o abandono da mulher, Conselheiro voltou a vagar pelo sertão nordestino, que se envolveu com uma escultora e teve um filho. Em 1865, abandonou a família e rendeu-se a vida de andarilho e pregador. Antônio Conselheiro, com a saúde fragilizada, morreu dias antes do último combate contra os militares.